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Estudos científicos recentes alertam para uma prática importante a se consagrar na harmonização facial: a transição entre conhecer a anatomia para o confirmar a anatomia. O motivo é simples e clínico, a face não é um mapa fixo, e o risco não acontece somente por conta do produto, mas do encontro entre variação vascular, plano de injeção e tomada de decisão em tempo real. É aqui que o ultrassom deixa de ser tecnologia de ponta e passa a ser estratégia prática de previsibilidade e segurança, antes, durante e depois do procedimento.1-3

O que o ultrassom muda na prática e por que isso importa para resultado

O ultrassom pode ser integrado de duas formas principais: (1) escanear antes de injetar e (2) escanear enquanto injeta; a escolha depende do objetivo e da área anatômica, com implicações diretas para segurança e controle técnico.1

1) Escanear antes de injetar | Mapear para evitar riscos

Essa abordagem transforma o planejamento em uma etapa objetiva: você identifica estruturas relevantes e ajusta seu plano de tratamento antes de tocar no êmbolo. Um exemplo de impacto mensurável aparece no estudo de Naylor e Velthuis (2025): ao integrar ultrassom pré-procedimento no fluxo, o grupo com ultrassom teve menos equimose (70% sem equimose vs. 28,8% no controle; OR 5,77), sugerindo ganho real em previsibilidade de recuperação e melhor experiência do paciente.

2) Escanear enquanto injeta | Guiar para controlar

Aqui o foco é controle fino do procedimento: você acompanha a ponta do instrumento, confirma plano e mantém margem de segurança em relação a estruturas de risco, com técnicas descritas como reprodutíveis para o terço superior da face.1 Um ponto técnico importante destacado no artigo é o cuidado com a distância de segurança da cânula em relação ao vaso durante a navegação, reforçando o papel do ultrassom como ferramenta de prevenção ativa.1

Por que o terço superior da face merece outro nível de rigor?

O terço superior da face concentra áreas com anastomoses e conexões que elevam o risco de eventos graves; o artigo da Diagnostics chama atenção para a gravidade potencial de complicações vasculares nessa região, incluindo risco de cegueira, e justifica a adoção de técnicas guiadas por ultrassom como abordagem de segurança.1 A diretriz ACE reforça que não existem áreas “seguras” e destaca atenção especial à linha média, associando-a a maior perigo e a relatos de perda visual na literatura.2

Um pilar de um consultório seguro: protocolo de complicações

Se o ultrassom eleva o padrão de prevenção, um protocolo de complicações eleva o padrão de responsabilidade. A diretriz da Aesthetic Complications Expert Group descreve a oclusão vascular como uma das complicações precoces mais temidas e enfatiza que identificação e tratamento precoces são determinantes para evitar necrose.2

Ultrassom representa método, treinamento, padronização e documentação

Ultrassom não é só equipamento; é competência. O estudo de Naylor e Velthuis descreve a necessidade de treinamento formal e prática supervisionada para integrar o método com consistência, incluindo carga prática estruturada e supervisão (NAYLOR; VELTHUIS, 2025). Isso aponta para um caminho de maturidade: não é sobre comprar tecnologia, é sobre construir protocolos.

A Nextt Pro quer liderar essa discussão e causar impacto no mercado: segurança hoje é método, não discurso.

Um próximo passo prático para o consultório é implementar um “checklist de padrão ouro” em três camadas:

  1. Prevenção com mapeamento (escanear antes) e seleção de técnica por área;1
  2. Controle com guia em tempo real onde o risco justifica;1
  3. Resposta com protocolo de oclusão vascular, foco em CRT, atendimento presencial imediato e suporte ao paciente.2

Eleve o padrão do seu atendimento: implemente ultrassom com treinamento e protocolos seguros.

Referências

  1. SIGRIST, Roland S. et al. Reproducible ultrasound-guided filler injection techniques in the upper third of the face. Diagnostics, v. 14, n. 16, 1718, 2024.
  2. ACE GROUP (Aesthetic Complications Expert Group). Management of a vascular occlusion associated with cosmetic injections. Version 2.5, October 2019.
  3. NAYLOR, Dawn; VELTHUIS, Peter. Integrating facial ultrasound into medical esthetics practice. Journal of the American Academy of Dermatology, v. 93, p. 1526–1528, 2025.

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